Este livro conta um exemplo do combate dos Militantes da Luta Antimanicomial contra Dragões Manicomiais. No enredo, destrincha parte da história da psiquiatria do Estado do Piauí e sua relação com os acontecimentos da “ciência psiquiátrica” no mundo. Uma relação que, baseada num erro da psiquiatria, cria o manicômio que aprisiona seus moradores numa atemporalidade de despersonalização, isolamento social, condições precárias e estigmatização, sendo presumivelmente fatores da violação dos Direitos Humanos. Buscando seus objetivos de enfrentar o problema manicomial no campo dos direitos humanos, a Reforma Psiquiátrica Brasileira propõe uma ética inclusiva à sociedade e a construção de dispositivos substitutivos do manicômio, para lidar com a saúde mental em comunidade.
Se, na primeira edição, lidávamos com um embate no qual fomos vitoriosos, não percebemos ali o nascimento das contemporâneas Comunidades Terapêuticas religiosas que, no afã da resolução do problema de uso abusivo de substâncias psicoativas, cresceram em número e no financiamento público, podendo vir a ocupar o lugar dos antigos manicômios. E o Piauí é um dos Estados incubadores dessa proposta. Essa a razão dessa edição ampliada.
No recente boletim “A Saúde Mental em Dados”, (em sua 13ª edição) do Ministério da Saúde, algumas observações podem ser feitas: não existe um tópico sobre as Comunidades Terapêuticas. Para o Ministério da Saúde é como se elas não existissem, e, no entanto, atendem à parcela da clientela conveniada com o Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, mesma clientela que, na Saúde, é atendida pelos CAPS ad (Centro de Atenção Psicossocial para usuário de Álcool e outras Drogas) e outros dispositivos em comunidade e hospitais gerais. Entre 2017 e 2020 as Comunidades Terapêuticas receberam verbas públicas maiores que o orçamento de todo o departamento de Saúde Mental para cada ano do período. Com um crescimento exponencial, as comunidades com 17 mil leitos públicos já abrigam mais pacientes que quase o dobro dos que estão nos manicômios ainda existentes, que estão sendo fechados. São substituídos pela rede comunitária, enquanto as Comunidades crescem na contramão da proposta.
A segunda edição ampliada trata desse problema. Aqui estamos perdendo a batalha para novos Dragões Manicomiais.
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