Editora Passagens
Passagens, para Walter Benjamin, é como se fossem “corredores”, onde as pessoas podem aparecer, ou elas podem se esconder. Seguimos o conselho de Hélio Oiticica: Experimentar o Experimental. Aqui estão todos os livros da editora, disponíveis gratuitamente.
quarta-feira, 2 de abril de 2025
A incrível estória de Von Meduna e a Filha do Sol do Equador
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
A TRANSGRESSÃO ROMÂNTICA DE JUNERLEI
Flávio Reis
***
Na vida nos deparamos, em certas situações, com o imponderável. Ele se estabelece e... pronto! Temos de conviver com o ocorrido, encontrar uma maneira de dar sentido, perceber sinais, projetar anseios, nos debatendo ante o inesperado. É o que ocorreu na terça-feira, 12 de novembro, no Centro de Ciências Sociais da UFMA, com a morte do professor Junerlei Dias de Moraes Salleti, no prédio onde lecionava há mais de 30 anos no curso de Comunicação Social.
Buscar palavras aqui é apenas uma tentativa de diminuir o nó que aperta a garganta, percorrer os caminhos sempre insuficientes da escrita para expressar esse espanto. Mas guarda também um traço de saudação, de agradecimento pelo que se compartilhou, da vida que se viveu, da falta que fará.
Junerlei era um professor singular, desses que existiam na universidade, aqui e ali, sempre bastante minoritários, mas hoje já em total extinção. A principal característica destes tipos era uma curiosidade aguçada, a voracidade da leitura ampla e variada. Junerlei aliava a paixão dos livros ao amor igualmente intenso às artes. Sacava de tudo, literatura de várias épocas, poesia, romances, contos, mas também muito cinema (do qual era mesmo um aficionado), teatro, artes visuais. Ao que parece, não era muito de música, pelo menos não com aquela intensidade. Passava de um campo para outro facilmente, numa conversa veloz, abundante, na verdade, transbordante, farta.
Não fazia o gênero do professor racional, lógico. Em certa medida, era até o contrário disso. Praticava mais a linha da conversação anárquica, da empolgação exagerada, da provocação dita de passagem, sem alarde, e da sátira. Uma estrutura de pensamento fluida, intencionalmente dispersa, mas sempre informada e, ao mesmo tempo, curiosa, aberta a novas percepções. Feixes de observações, informações, lembranças que iam saindo de forma quase inesgotável, as palavras se atropelando.
Olhando agora, lembro do saudoso professor Caldeira, do departamento de Sociologia e Antropologia, que ministrou muitas aulas também no curso de Comunicação, na antiga cadeira de Realidade Sócio-econômica e Política Brasileira, um verdadeiro espaço de vale-tudo intelectual, feito ao arrepio dos programas oficiais. A conversa era vasta, tirando logo o chão doutoral do “especialista”.
São professores que convocam a liberdade e estimulam a criatividade. No fundo, são figuras rebeldes, muitas vezes mal vistas pelos seguidores fiéis da burocracia acadêmica e tidos como “improdutivos” ou até “enrolões”. Não por acaso, costumam ser bem próximos dos estudantes. Em uma palavra, eles se misturavam mesmo era com a moçada, de onde tiravam a seiva para se manter à margem dos cânones estabelecidos, que sempre ridicularizaram.
Junerlei, à sua maneira, fez parte dessa linhagem. A sua figura nos corredores do CCSo, ou caminhando para a Biblioteca Central, que explorou até quando a visão permitiu, ou no CCH, onde sempre passava, na trilha dos livros, em conversas com os livreiros Armando e Werbeth, ou com quem encontrasse por lá. Quase sempre estava em companhia de estudantes, trocando figurinhas de todo tipo, distribuindo alegria, estimulando a conversa criativa. Era um tímido de comunicação fácil e agradável.
O professor Chico Gonçalves, seu colega de departamento e um de nossos melhores oradores, destacou muito bem, na cerimônia de sepultamento, a marca que Junerlei deixou na formação de muitos profissionais do jornalismo egressos da UFMA, relembrada por ex-alunos nas redes sociais. Ia muito além da sala de aula, estava num livro que foi indicado ou presenteado, num autor sugerido, um filme que mudou a percepção das coisas, ou mesmo num gesto de atenção e carinho. Junerlei era generoso. Nas suas palavras, ele foi um professor que levava os alunos a sonhar. O que não é nada fácil dentro de uma estrutura de funcionamento cada vez mais controladora e efetivamente vazia de criação, sem alegria. Uma coisa meio oca, sem vida pulsante, justamente o que a conversa com Junerlei sempre suscitava.
Ele não se enquadrava nos moldes do professor produtivo, guiado pelo Lattes e envolvido num verdadeiro ranking com seus pares. Trabalhava como quem brinca. Lia rápido e tinha um leque que permitia sugerir conexões que soavam às vezes até absurdas. Mas era acima de tudo a liberdade do pensamento, envolto no lúdico, na brincadeira. Nunca abriu mão de combinar essas coisas.
Agora estamos diante da cena terrível. O corpo continua lá, na sala de aula, espaço onde exerceu sua arte da transgressão, isolada com fitas que indicam uma ocorrência trágica. Seus alunos, os colegas de trabalho, antigos e novos, funcionários da administração, da limpeza e da vigilância, a vendedora de lanches, todos atônitos. Amanhã, o dia reinicia, a vida e seus compromissos nos chamam de volta, a roda do mundo continua seu giro, como se simplesmente prosseguisse. Mas tudo é apenas a superfície, no fundo, sabemos que algo se partiu, foi interrompido.
Não teremos mais o sorriso largo de Junerlei, a fala intensa, com um sotaque levemente estranho, pois “soy argentino”, os óculos fundo de garrafa, outra de suas características marcantes, a respiração ligeiramente ofegante, ansiosa. Como disse sua amada Wilne, era pura intensidade. Nos últimos anos, sofria cada vez mais de problemas na visão, uma doença rara, de nome complicado, que nunca entendi direito, sempre piorando, não obstante as várias consultas com especialistas. Acho que por conta disso, num certo momento passou por um quadro de depressão.
Com o tempo, a piora da visão foi minando um pouco da sua alegria. As aulas foram se tornando um peso. Sonhava intensamente com a aposentadoria, enquanto a universidade tomava seu caminho decidido no rumo da organização empresarial, regida por critérios quantitativos, no rolo compressor da bestialização titulada e arrogante, que é hoje a nossa realidade. Em contraposição radical a isso tudo, Junerlei era de uma simplicidade quase infantil, destituído de vaidade intelectual. Não posava de sabido, brincava com os falsos sabichões. Com o agravamento da doença, agudizou-se a insatisfação com a universidade, que consumiu suas forças, absolutamente impávida ante seu sofrimento.
Junerlei morto na sala de aula do CCSo é um desfecho trágico a essa existência alegre e luminosa. No fundo, foi sugado numa máquina uniformizadora cada vez mais eficiente em impedir a criatividade e a alegria. Houve um tempo, não muito distante, que a universidade era espaço de invenção e resistência, de trocas e sonhos. Hoje, é um lugar esvaziado, vivendo em agonizante desertificação, perdida entre a fantasia farsesca da competência e o pesadelo real da diluição no mercado. Nela não há mais espaço para figuras como Junerlei, um rebelde desconcertante que ia decidido para a briga empunhando uma flor. Tempos difíceis, de espanto e dor, no ano em que perdemos, em condições similares, outro professor da mesma linhagem, Antonio José, do departamento de Filosofia. Os que ficamos, seguimos carregando nossos mortos, suas lembranças e lutas.
sexta-feira, 10 de maio de 2024
Cartas de um Professor em Greve
Uma Carta-Manifesto violenta e necessária, apontando o abismo em que se encontram a Cultura e a Educação, movidas cada vez mais pela mercantilização crescente de suas atividades. Um alerta para o momento crucial atual, em que os agentes não parecem se dar conta do esvaziamento dos significados de suas ações.
Soa o alarme de perigo da esterilização total da Cultura e do sufocamento final da Universidade Pública. Restará em seus lugares, a espetacularização estridente e vazia, o fake tornado realidade incontestável e catalogado no altar das mercadorias. O “boizinho de butique” (Celso Borges) e as “universidades de esquina” são faces da mesma moeda da corrosão de nossas potencialidades não realizadas.
Download abaixo:
quinta-feira, 28 de março de 2024
Bom Jesus dos Navegantes - Irmandade e Capela
Trabalho delicado, de remontar aspectos da história desta instituição, seus integrantes e a dinâmica de funcionamento, suas finanças, aquisições e realizações, além de propiciar um verdadeiro tour pela arquitetura da Capela, os diferentes espaços e imagens sagradas. Tudo realizado através de paciente pesquisa, utilizando documentação esparsa, basicamente as atas da diretoria ainda existentes, ofícios e livros contábeis, aliado a notícias da imprensa local sobre as procissões e atividades desenvolvidas pela Irmandade e alguns relatos memorialísticos.
Desfazendo equívocos comuns, como a identificação entre a antiga Capela de Santa Margarida e a Capela do Bom Jesus dos Navegantes, a pesquisa consegue acompanhar a história desta irmandade católica centenária, apesar das lacunas importantes na documentação consultada, recuperando tempos em que as procissões organizadas pelas irmandades eram acontecimentos destacados na cidade, cerimônias não-litúrgicas com cenas comoventes e grande assistência de público.
Hoje, as procissões perderam relevo e importância, mas a antiga Irmandade dos Navegantes ainda mantém a tradição da Procissão da Fugida, na quinta-feira, e a do Encontro, na sexta-feira santa. No domingo de Páscoa, a Missa da Ressureição, com a elevação da imagem do Cristo Ressuscitado, invenção única dos tempos do incansável Augusto Aranha Medeiros, o grande guardião da Capela. Um registro feito a partir de documentos e referências guardadas zelosamente por Nizeth Medeiros, sua filha e sucessora.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
Literatura e Performance
Uma visão insólita da nossa República das Letras no início do século XX e uma visita ao experimental dos anos 70 formam o largo espectro deste Literatura & Performance. Através de pesquisa em jornais da época, Isis Rost vai à pré-história do modernismo oswaldiano, remontando o caso da sua fixação na bailarina Carmen Lydia, uma menina que o fascinou durante anos, e o encontro explosivo e trágico com a normalista Maria de Lourdes, a Miss Cyclone, personagem múltipla, farol luminoso do diário coletivo intitulado O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo, desenvolvido na primeira garçonnière, localizada na rua Líbero Badaró, entre maio e setembro de 1918. Traços iniciais do ato antropofágico que desabrocharia na década seguinte.
Da província que alçava o voo do modernismo, para São Luís do Maranhão, capital de antiga província já abatida no sonho efêmero de pujança vivido no início do século XIX e mergulhada na construção fantasmagórica de uma identidade ilustre. Sob a capa da Atenas Brasileira, a realidade crua das marcas da escravidão, do racismo à flor da pele, explode na polêmica envolvendo o germanófilo Antônio Lobo, considerado fundador da Academia Maranhense de Letras, e o intelectual negro Nascimento Moraes, autor de Vencidos e Degenerados, um romance sobre o momento da Abolição e da República em São Luís. A mesma cidade, bela, terrível e mesquinha, inscrita na poética de Nauro Machado, visto aqui numa chave interpretativa além do tradicionalismo em que alguns tentam enquadrar (e resumir) sua obra.
De volta ao centro, ao mundo da performance e do experimental, em escritos de Antonin Artaud e na literatura de Valêncio Xavier, caracterizada pela apropriação/fusão de textos, imagens, recortes; no “não cinema” de Hélio Oiticica em Agripina é Roma-Manhattan, curta realizado em New York, reverberando Sousândrade de O Inferno de Wall Street, sua genial intuição do novo império; e na arte visceral da cubana exilada Ana Mendieta, arte do corpo feminino, arte efêmera, arte conceitual. Performance, vídeos, instalações, esculturas em rochas, a água, a terra, o fogo, o belo e o grotesco, natureza e sangue, tudo se mistura no furacão visual do texto elaborado em série e disposto em forma de silhuetas, num voo radical sobre a obra da artista desterrada, arremessada à morte. Direto e vibrante, o livro de Isis Rost é viagem surpreendente aos subterrâneos da literatura e das artes no século XX.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
O Cálice de Kafka
Livro vivo, vivíssimo, bem vivo e bem-vindo. Livro livre e findo,
porque só a vida enfrenta a morte. A vida tem fim e o último passo está no
compasso de nossa origem. O rufar do Cálice
de Kafka nos chega antes da última lufada. Paulo José Cunha, poeta desta
grande família piauiense donde veio o mestre Torquato Neto, vai, ao longo deste
seu poema – fragmentado em versos leves e certeiros como aquela velha Senhora
que nos observa fria e sincera – oferecendo um cardápio de beleza poética
curiosa e única.
Todos os trinta e cinco poemas deste Cálice de Kafka são dedicados às aventuras da velha e digníssima Senhora,
cuja chegada é certeza em vida... certezíssima.
Um dia ela virá. Por isso, a morte não deve ser encarada
morbidamente, mas sim como um ser concreto e cíclico. Pois a finitude é sina,
não é opção. Dela não se escapa, a não ser encarando-a com serenidade e firmeza.
A saída é a própria saída. Como diria Torquato:
- Um brinde à vida, enquanto a morte está parida!
Tim-tim!
Luís Turiba
Link para download abaixo:
domingo, 4 de fevereiro de 2024
Olhares - Regards
Há sete anos, Eloah saiu do Brasil e foi morar na França com Karen, minha irmã e sua mãe. Ainda assim, pude acompanhar seu desenvolvimento em cada desenho, fotografia, impressões enviadas para amenizar a saudade que a distância impunha. Este material foi sendo arquivado por mim, e resultou na montagem de “Olhares”, um livrinho articulado despretensiosamente, como uma surpresa, um presente de aniversário de 13 anos. É dividido em dois blocos: o primeiro reúne vários desenhos, evidenciando a evolução e a sensibilidade dos traços; o segundo bloco são as fotografias, em cliques de cenas variadas.
Isis Rost
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
Crônicas de um Piauinauta
UM SÉCULO QUE NÃO COMEÇOU
domingo, 24 de dezembro de 2023
A TRADIÇÃO ATENIENSE E SEUS SABUJOS
- Flávio Reis
Há
pouco mais de duas décadas, em 2001, um pequeno livro causava um rebuliço na
historiografia maranhense, A Fundação Francesa de São Luís e Seus Mitos,
da professora Maria de Lourdes Lauande Lacroix. Nos anos seguintes, um intenso
debate tomou corpo através dos jornais, principalmente no Caderno Alternativo,
de O Estado do Maranhão. Livro provocante, de escrita enxuta e direta, trazia
uma percepção diferente para uma questão que, de maneira descontínua, perpassou
a memória da cidade no século XX: a fundação francesa de São Luís. O debate se
arrastou por quase uma década e se ouviu todo tipo de simplismo e sandice para
afirmar aquilo que a professora chamou de mito fundador.
Aquele era ainda um tempo em que os debates se faziam pelos jornais. Hoje, com o desenvolvimento da internet e das redes sociais, tudo se modificou muito e os grupos de aplicativos de mensagens são uma forma nova de circulação de ideias e debates. São grupos privados, mas seus integrantes muitas vezes esquecem que não estão numa antiga sala de estar, onde se falava mal dos outros, distorcia a realidade e dava vazão a seus delírios de grandeza pessoal em recintos fechados, o que não impedia os fuxicos e eventuais desavenças. Hoje, nos novos espaços virtuais, as declarações e mensagens ficam gravadas e circulam para além do grupo. É neste contexto que novas sandices são propaladas de forma totalmente agressiva e irresponsável, ditas sem nenhuma base histórica.
É
o que ocorreu recentemente num grupo voltado para discussões sobre a cidade de
São Luís, onde o sr. Antonio Norberto, que deve se considerar um pesquisador e
grande estudioso em defesa das tradições e glória da Atenas Brasileira, saiu
com essa pérola do desvario e da torpeza, que transcrevo:
PARA LER O TEXTO COMPLETO, CLIQUE AQUI
terça-feira, 15 de agosto de 2023
Arquivo NAVILOUCA
NAVILOUCA, a revista-valise do início dos anos 70, delírio torquateano/walyano, ponto de encontro entre concretos, neoconcretos, tropicalistas, marginais. Este Arquivo recupera as notícias em torno da publicação, anúncios, adiamentos, expectativas, lançamento e reúne um desfile de memórias e lembranças variadas, ensaios, comentários, poesias, tendo a revista como foco, tudo imerso em cores e imagens, num projeto gráfico igualmente delirante.
segunda-feira, 3 de julho de 2023
Carver
Considerado o Tchekov do século XX, pela sua maestria na arte do conto curto, o estadunidense do Oregon Raymond Carver foi limpador de banheiros, garçom, frentista e vendedor de carros e medicamentos antes de se transformar em escritor consagrado pela crítica.
Donwload gratuito abaixo:
terça-feira, 27 de junho de 2023
Crise da Democracia
- Regressão democrática e teoria política;
- O Brasil na encruzilhada: visões da crise política.
***
A democracia liberal, que nos
anos 1990 foi proclamada como triunfante entre todos os regimes de governo,
atravessa severa crise, que põe em xeque não apenas as suas formas, mas seus
fundamentos, e desta vez, sem que o problema esteja associado a deficiências
das chamadas republiquetas, pois a crise também atinge democracias ditas
consolidadas. Crises não são novidades na trajetória das democracias e, talvez,
sejam até o seu estado natural em face das críticas à esquerda e à direita que historicamente
lhe são dirigidas, sob acusação de formalismo sem conteúdo social ou como onerosa
e ingovernável devido aos incessantes direitos. A singularidade atual reside em
desconstrução interna, associada a um casamento e um divórcio: casamento com o
neoliberalismo, que pra além da face econômica, se expressa como subjetividade
e concepção de mundo, e divórcio com os valores políticos liberais.
Neoliberalismo objetivado na
competição, na insolidariedade e no simulacro do mérito como alternativa aos
direitos; que desresponsabiliza o poder público com o bem estar social e
atribui aos indivíduos essa realização. Ruptura com os valores políticos do
liberalismo pela negação do Estado democrático de direitos, materializada em
poder monocrático, manipulação das regras do jogo, tentativas de eliminar os
freios e contrapesos entre os poderes, culto da violência e apelos ao
irracional, tudo customizado nos moldes de uma “guerra cultural”.
O Brasil, sempre tomado como
periférico, assumiu papel central nesse processo de desconstrução democrática,
pela brutalidade do populismo reacionário aqui instalado, com a ascensão
de Jair Bolsonaro à presidência da república em 2018, sob o signo de
desconstruir em 4 anos os quase 40 da Constituição chamada de cidadã. Surfando
na onda internacional de ascensão da extrema direita, o desmonte aqui também se
deu de dentro pra fora; não descuidou da tradicional violência e interdição
contra qualquer ameaça de ativismo ou organização social, claro, mas empreendeu
inédita degradação institucional e instrumentalização de redes de ódios e
irracionalismos, ao tempo em que mobiliza apoios para uma indisfarçada ruptura
democrática.
Crise da democracia – dois
ensaios, do historiador e cientista político Flávio Reis, traz, à luz da
literatura recente, uma abordagem profunda e certeira sobre esses destroços, desafios
e os cenários ainda em aberto.
Arleth Borges
Download abaixo:
sábado, 5 de novembro de 2022
Torquato Tristeza Teresina
Nem bem se passaram quatro meses que o poeta triste deixara Teresina, soubemos do seu suicídio depois de comemorar o aniversário de 28 anos. Os amigos, nos juntamos para lamentar a perda num rompante bem-sucedido do seu comportamento perto da morte, que conhecíamos. Mas o que era possível, quando acontece é desesperador. Não o veríamos mais e a nossa dor era imensa. Sofremos com a perda de Torquato.
No outro dia, o poeta chegou morto em seu esquife, como nomeou a imprensa local, e não era mais o nosso amigo. Não era aquele com quem bebíamos nos bares, caminhávamos nas ruas, escrevíamos em jornais ou fazíamos cinema sob os olhares reprovadores da cidade, meses atrás, quando era ainda tão vivo e ignorado na cidade. O morto que chegava era um compositor famoso, adorado por todos que foram ao aeroporto receber o poeta sob o calor de 40 graus e desfilar em carreata pelas ruas da cidade até a casa dos pais em velório obsequioso. O enterro, no cemitério São José, um dos mais concorridos.
Não fui ao velório, nem ao enterro. Aquele já não era o Torquato Neto que conheci, mas um poeta famoso, que se tornaria nome de rua, de conjunto habitacional, de salas culturais, mas de quem ninguém conhece a obra. Um outro Torquato, cultuado por uma cidade que não gostava dele. Um bom poeta precisa morrer para que gostem dele. Nem precisa da obra.
Edmar Oliveira
O livro TORQUATO TRISTEZA TERESINA faz parte da coleção
"Livrinho também é livro".
Link para download do e-book abaixo:
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
Navilouca ReVista
Idealizada e montada em 1972, ano emblemático de muitas experimentações, a Navilouca só seria impressa em 1974 e logo se tornou verdadeira lenda entre as publicações alternativas do período, oferecendo um painel do que havia de mais radical nas letras, nas artes visuais e no cinema por estas bandas.
Neste ensaio, fruto de dissertação de mestrado (UESPI), Isis Rost apresenta algumas de suas chaves, fazendo um corte transversal no material organizado por Torquato Neto e Waly Salomão e ressaltando duas tríades que marcam toda a linguagem do “almanaque dos aqualoucos”: a concreta, com Augusto, Haroldo e Décio, e a experimental, núcleo da revista, identificada em Torquato, Waly e Hélio Oiticica.
Temos aqui a proposta de um encontro direto com as
páginas da Navilouca, num texto irreverente e inventivo, cujos capítulos (e
mesmo os subtítulos) podem ser lidos de forma independente, compondo um
caleidoscópio para saudar os 50 anos deste projeto único, quase delirante,
lance final do poeta piauiense que se suicidou naquele intenso ano de 1972.
Link para download: Navilouca ReVista
domingo, 20 de junho de 2021
Olhos famintos & outros contos
terça-feira, 4 de maio de 2021
Literatura – Perspectivas Críticas
domingo, 26 de julho de 2020
Transas da Contracultura Brasileira
terça-feira, 16 de junho de 2020
BOI
O poeta e letrista Celso Borges homenageia o boi do Maranhão no primeiro ano em que essa manifestação não estará nas ruas e arraiais da cidade, por causa da pandemia do corona vírus.
“Este livrinho nasce dessa não voz, ou da poesia dessa voz na memória, ou do afeto que vislumbro a partir da falta do boi e suas zoadas essenciais”, afirma o escritor que tem ligação com o bumba-meu-boi desde criança, quando via e ouvia os grupos se apresentarem em frente à sua casa, no Largo de São João, centro da cidade.
Download abaixo:
BOI
domingo, 17 de maio de 2020
O Declínio da Narrativa
domingo, 3 de maio de 2020
Rua Morta

Livrinho também é livro – coleção da editora Passagens, coordenada por Isis Rost e Celso Borges, voltada para edição de poemas, contos ou pequenos ensaios, disponibilizados gratuitamente em formato e-book, com tiragem impressa limitada.
RUA MORTA
sábado, 25 de abril de 2020
BREU - Ensaios Poéticos

Pequenas reflexões poéticas
escritos entre 2006 e 2013.
A peculiaridade da edição foi a mistura de obras de arte aos ensaios, provocando interpretações polissêmicas no leitor.
Download abaixo:
Breu
terça-feira, 24 de março de 2020
CENAS MARGINAIS
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
NAVILOUCA
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
Penúltima Página

Penúltima Página
domingo, 7 de abril de 2019
O Risco do Berro - Torquato, neto Morte e Loucura
Com muita inventividade, sacação e ironia, Isis Rost encarna a figura múltipla de Torquato, através de suas falas, escritos e imagens, para oferecer uma visão multifacetada do artista. Destacando dois signos fortes do momento, a morte e a loucura, mostra como estavam inscritas na trajetória de Torquato para além das determinações do período.
Colada no ideal contracultural, da transgressão, Isis fere os cânones consagrados, flerta abertamente com as apropriações e colagens, tão presentes no período, para montar seu painel com obsessiva pesquisa iconográfica e ousada diagramação, intuitivamente inspirada na Navilouca, a lendária revista em edição única programada por Torquato e Waly Salomão.
Tudo isso propicia um mergulho no universo dos “anos loucos”, de 67 a 72, quando o poeta, letrista, crítico de cultura e entusiasta de primeira hora do cinema marginal e do desbunde, consuma a própria sina, cuidadosamente tecida em versos, prosa e imagens. Berro ensandecido para saudar a figura indomável de Torquato, o livro é uma lufada de criatividade a desafi(n)aro bom mocismo acadêmico destes tempos tão obtusos.”
Flávio Reis
Link para download abaixo:
sábado, 6 de abril de 2019
RUMINAÇÕES: Cultura e Política
Link para download gratuito abaixo:
RUMINAÇÕES: Cultura e Política
Tom Zé - VAIA DE BEBO não vale!
(...)
O livro que você tem em mãos é resultado de um olhar sobre um determinado momento da cultura brasileira e seus desdobramentos ocorridos nas entranhas do tropicalismo musical, levando cada um dos seus integrantes a seguir caminhos distintos em suas trajetórias artísticas e nas relações com o mercado da indústria fonográfica.
Link para download do ebook colorido abaixo: